Os músculos adutores da coxa são estabilizadores do quadril e desempenham importante papel durante da corrida. O estiramento destes músculos é relativamente freqüente e acomete entre 10 e 18 % dos esportistas.
A lesão aguda geralmente ocorre durante a atividade física e caracteriza-se por um movimento de abdução forçada contra a resistência (afastamento lateral da coxa). Neste momento o atleta apresenta uma dor súbita na região da virilha, irradiando para a parte medial (interna) da coxa e às vezes para a região abdominal baixa. O hematoma após a lesão é freqüente e pode às vezes atingir grandes proporções.
Alguns fatores de risco podem ser apontados nas lesões dos adutores, como a diminuição da força, a limitação no afastamento das coxas e o baixo condicionamento muscular. Além disto podemos encontrar anormalidades biomecânicas nos membros inferiores, como a pronação excessiva dos pés, a assimetria dos membros inferiores (diferenças de comprimento), o desequilíbrio muscular e a fadiga. Embora não haja estudos controlados para comprovar os últimos fatores predisponentes, programas de prevenção têm focado em alguns destes fatores, propiciando uma prevenção mais efetiva destas lesões.
O exame físico é marcado pela dor localizada na região da virilha ou na parte medial da coxa (região interna), palpação dolorosa da musculatura envolvida e dor na realização do movimento ativo de adução (aproximação das coxas).
Devemos lembrar que outras lesões podem simular os mesmos sintomas e sinais do estiramento dos adutores, como a compressão do nervo obturatório no quadril, a sinfisite púbica e outras doenças do quadril.
A localização da lesão também apresenta implicação na evolução do tratamento, pois aquelas localizadas na transição músculo-tendão, que são as mais freqüentes, apresentam maiores condições de reparo do que nas áreas de transição tendão-osso onde a vascularização é mais limitada.
Os exames de imagem como o ultra-som e a ressonância magnética podem ser usados para identificar e confirmar o diagnóstico formulado durante a história e o exame clínico.
Lesões de grandes proporções (superiores a 50 % do músculo apresentam tendência a seqüelas, como formação de áreas de fibrose, dolorimento tardio e perda da flexibilidade local.
O tratamento deve incluir repouso relativo, permitindo as atividades de vida diária suportadas pelo paciente, uso de muletas na fase aguda, bolsas de gelo sobre o local doloroso, antiinflamatórios não esteróides e analgésicos sob prescrição médica e fisioterapia (crioterapia eletroterapia, massagem, exercícios ativos progressivos, hidroterapia).
Finalmente o atleta retorna ao esporte em 3 a 8 semanas dependendo da lesão e da forma de tratamento empregada.
Nas lesões crônicas não tratadas, o uso dos antiinflamatórios não tem se mostrado eficiente na literatura. A fisioterapia através de vários métodos pode levar meses até que as sensações de dor e limitação dos movimentos sejam normalizadas, o que algumas vezes pode não acontecer definitivamente.
As lesões dos músculos adutores podem ser recorrentes e muitas vezes são causadas por retorno precoce ao esporte, sem que a lesão tenha sido adequadamente diagnosticada e tratada. A ausência de dor no repouso ou nos movimentos de baixa intensidade não significa que a lesão está curada. O mais comum nestas lesões é a pessoa voltar a sentir dor em 2 a 3 semanas após o primeiro episódio.
O tratamento cirúrgico está indicado nos casos de dor crônica após 6 meses de tratamento conservador e está indicado em condições especiais após avaliação criteriosa de um especialista.
Devemos atentar para os fatores predisponentes no sentido de evitar que tais complicações voltem a ocorrer, pois as lesões subseqüentes podem causar limitações mecânicas e e também emocionais para a continuidade do esporte.
Portanto, trate suas lesões o mais rapidamente possível para evitar seqüelas !
sábado, 3 de dezembro de 2011
A Ruptura do Tendão Patelar do Joelho
O tendão patelar é um ligamento que conecta dois ossos (patela e tíbia) e integra o aparelho extensor do joelho. Sua importância é fundamental nos movimentos do joelho.
As rupturas do tendão patelar são relativamente raras e geralmente unilaterais. A verdadeira freqüência com que ocorre na população de esportistas é desconhecida, mas são observadas mais frequentemente numa população de indivíduos com idade inferior a 40 anos.
O treinamento esportivo geralmente beneficia as qualidades e características dos tendões, porém, a intensidade e freqüência com que certas cargas são aplicadas aos tendões, podem ser, por vezes, perigosas e preocupantes. A capacidade de remodelação dos nossos tendões frente às cargas impostas é ainda motivo de pesquisas e interesse científico.
O mecanismo típico da lesão é a contração excêntrica violenta do músculo quadríceps com o pé fixo ao chão e o joelho flexionado na aterrissagem de um salto. Este mecanismo independe de um traumatismo direto sobre o joelho.
Nem só os atletas sofrem rupturas dos tendões, o que significa que cargas desproporcionalmente elevadas em relação à capacidade de resistência dos tendões podem provocar rupturas. Tendões doentes são vulneráveis, porém a maioria deles é assintomática, o que diminui a percepção do indivíduo sobre o problema. A força estimada para ocorrer a ruptura é superior a 17 vezes o peso corporal, porém tal intensidade pode ser atingida em algumas modalidades esportivas, sem que ocorra qualquer alteração do tendão. Tal fato se deve a múltiplos fatores de adaptação ao esforço e à condição genética.
A história mais freqüente é o aparecimento de dor súbita e incapacidade de extensão ativa do joelho. O exame físico revela deformidade (patela alta ou luxada), inchaço, hematoma e limitação funcional. As radiografias avaliam a condição óssea da patela e os exames de ultrasom e ressonância magnética permitem a avaliação das características da ruptura (extensão e localização) e das lesões associadas.
A ruptura do tendão é totalmente incapacitante, resultando na inabilidade de realizar a extensão completa do joelho. Localiza-se no sítio de enfraquecimento do tendão, como resultado de degeneração crônica. Tal degeneração associa-se a microtraumas repetitivos e distúrbios de adaptação às cargas impostas durante a atividade física. O ponto de ruptura mais comum ocorre geralmente na transição entre o osso da patela (pólo inferior) e o início do tendão, mas pode ocorrer no meio do tendão ou na inserção óssea na tíbia .
Outros fatores predisponentes às rupturas são descritos como: múltiplas infiltrações de corticosteróides, usuários de esteróides anabólicos, diabetes, insuficiência renal crônica, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico e nos usuários crônicos de corticosteróides. Os pacientes submetidos a algumas cirurgias do joelho também podem sofrer rupturas, como: artroplastias totais (próteses), reconstrução do ligamento cruzado anterior com enxerto do tendão patelar e após a remoção cirúrgica de áreas de tecido degenerado.
A intervenção cirúrgica precoce e adequada permite a recuperação do movimento e da força. Avanços recentes nas técnicas cirúrgicas permitem a reabilitação mais precoce dos pacientes operados e a utilização de enxertos (tendão do semitendíneo e grácil) para reforçar a sutura do tendão é também utilizada de rotina nos reparos cirúrgicos.
Degeneração não é inflamação e esta diferença pode ser avaliada por métodos de diagnóstico por imagem (ultrasom e ressonância magnética). A avaliação periódica dos principais tendões (patelar e calcâneo) permite a identificação das tendinopatias (doenças dos tendões), além de quantificar e localizar as áreas enfraquecidas, o que fornece informações importantes sobre o risco de rupturas.
Postado por Dr. Lucas Nogueira Mendes.
As rupturas do tendão patelar são relativamente raras e geralmente unilaterais. A verdadeira freqüência com que ocorre na população de esportistas é desconhecida, mas são observadas mais frequentemente numa população de indivíduos com idade inferior a 40 anos.
O treinamento esportivo geralmente beneficia as qualidades e características dos tendões, porém, a intensidade e freqüência com que certas cargas são aplicadas aos tendões, podem ser, por vezes, perigosas e preocupantes. A capacidade de remodelação dos nossos tendões frente às cargas impostas é ainda motivo de pesquisas e interesse científico.
O mecanismo típico da lesão é a contração excêntrica violenta do músculo quadríceps com o pé fixo ao chão e o joelho flexionado na aterrissagem de um salto. Este mecanismo independe de um traumatismo direto sobre o joelho.
Nem só os atletas sofrem rupturas dos tendões, o que significa que cargas desproporcionalmente elevadas em relação à capacidade de resistência dos tendões podem provocar rupturas. Tendões doentes são vulneráveis, porém a maioria deles é assintomática, o que diminui a percepção do indivíduo sobre o problema. A força estimada para ocorrer a ruptura é superior a 17 vezes o peso corporal, porém tal intensidade pode ser atingida em algumas modalidades esportivas, sem que ocorra qualquer alteração do tendão. Tal fato se deve a múltiplos fatores de adaptação ao esforço e à condição genética.
A história mais freqüente é o aparecimento de dor súbita e incapacidade de extensão ativa do joelho. O exame físico revela deformidade (patela alta ou luxada), inchaço, hematoma e limitação funcional. As radiografias avaliam a condição óssea da patela e os exames de ultrasom e ressonância magnética permitem a avaliação das características da ruptura (extensão e localização) e das lesões associadas.
A ruptura do tendão é totalmente incapacitante, resultando na inabilidade de realizar a extensão completa do joelho. Localiza-se no sítio de enfraquecimento do tendão, como resultado de degeneração crônica. Tal degeneração associa-se a microtraumas repetitivos e distúrbios de adaptação às cargas impostas durante a atividade física. O ponto de ruptura mais comum ocorre geralmente na transição entre o osso da patela (pólo inferior) e o início do tendão, mas pode ocorrer no meio do tendão ou na inserção óssea na tíbia .
Outros fatores predisponentes às rupturas são descritos como: múltiplas infiltrações de corticosteróides, usuários de esteróides anabólicos, diabetes, insuficiência renal crônica, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico e nos usuários crônicos de corticosteróides. Os pacientes submetidos a algumas cirurgias do joelho também podem sofrer rupturas, como: artroplastias totais (próteses), reconstrução do ligamento cruzado anterior com enxerto do tendão patelar e após a remoção cirúrgica de áreas de tecido degenerado.
A intervenção cirúrgica precoce e adequada permite a recuperação do movimento e da força. Avanços recentes nas técnicas cirúrgicas permitem a reabilitação mais precoce dos pacientes operados e a utilização de enxertos (tendão do semitendíneo e grácil) para reforçar a sutura do tendão é também utilizada de rotina nos reparos cirúrgicos.
Degeneração não é inflamação e esta diferença pode ser avaliada por métodos de diagnóstico por imagem (ultrasom e ressonância magnética). A avaliação periódica dos principais tendões (patelar e calcâneo) permite a identificação das tendinopatias (doenças dos tendões), além de quantificar e localizar as áreas enfraquecidas, o que fornece informações importantes sobre o risco de rupturas.
Postado por Dr. Lucas Nogueira Mendes.
Estabilização Vertebral Segmentar, uma breve perspectiva histórica
Aquilo que hoje chamamos de exercícios de estabilização central (core stabilization) teve sua origem a partir do trabalho de um grupo relativamente pequeno de autores. Em 1989, um pesquisador chamado Bergmark publicou um estudo da estabilidade mecânica da coluna lombar. Este autor sugeriu a divisão dos músculos do tronco em dois grupos, denominados de músculos “estabilizadores globais” e “estabilizadores locais”. (também denominados de músculos profundos e superficiais, respectivamente. [Stability of the lumbar spine. A study in mechanical engineering]
Basicamente os estabilizadores globais atuam sobre vários segmentos e transferem força entre a pelve e caixa torácica e incluem os eretores da coluna e o músculo reto abdominal. Já os estabilizadores locais, como os multífidus, possuem inserição nas vértebras lombares e tem a função de manter a estabilidade mecânica da coluna lombar.
Pouco após a publicação deste trabalho, Panjabi, um engenheiro biomédico,propôs um modelo conceitual para a compreensão da instabilidade da coluna vertebral (OBS: o modelo é dito conceitual, pois embora seja lógico e explique vários fenômenos relacionados a coluna, ainda não foi comprovado cientificamente) [Se quiser, pode baixar este trabalho clicando AQUI ]. Panjabi sugere que a estabilidade da coluna vertebral é dependente de 3 sub-sistemas:
#1- O sub-sistema passivo, o qual consiste nos elementos estruturais estáticos da coluna vertebral, tais como as vértebras e ligamentos.
#2- O sub-sistema ativo, formado pelos músculos e tendões que podem aplicar força à coluna vertebral, e
#3- O sub-sistema neural, constituído pelos elementos do sistema nervoso central e periférico, que monitoram a coluna vertebral.
O De acordo com este modelo, a instabilidade resultante da lesão de um componente do subsistema passivo (como uma lesão óssea ou ligamentar) poderia ser compensada, em parte, através da melhoria do desempenho dos sub-sistemas ativo e neural. (quem quise saber mais, eu já postei uma pequena resenha sobre este trabalho. Basta clicar AQUI)
Após o trabalho de Panjabi, um grande número de estudos que avaliaram a função da musculatura do tronco foram publicados. Cresswell e co-autores realizaram uma série de estudos sobre a função muscular do tronco e do controle da pressão intra-abdominal [clique AQUI e AQUI TAMBÉM para acesso aos abstracts]. Nestes trabalhos, os autores descobriram que a ativação do transverso abdominal (TRA) está correlacionada com a pressão intra-abdominal e que os músculos da parede abdominal se ativam antes do eretor espinhal quando o tronco recebe uma carga inesperada.
Hodges e Richardson [Abstracts AQUI, AQUI e AQUI TAMBÉM] identificaram evidências adicionais de “ativação preventiva do TRA e multífidus” com os movimentos dos membros. Aliás, estes trabalhos são interessantíssimos, pois demonstram por meio de eletromiografia que o TRA e multífidus se ativam milissegundos antes de movimentos voluntários do braço e membros inferiores, demosntrando claramente um mecanismo de antecipação (feedfoward) e que estes músculos desempenham um papel importante no fornecimento de estabilidade para a coluna lombar durante tarefas funcionais. Eles também descobriram que os padrões de ativação destes músculos foram diferentes em pacientes com lombalgia e em pacientes sem lombalgia, indicando um alvo potencial para intervenção terapêutica.
Muito dos trabalhos citados até aqui, serviram de base para uma publicação seminal por Richardson e Jull intitulado Pain Control, muscle control – What exercises would you Prescribe? que descreve um programa de treinamento específico para a musculatura do tronco com foco especial sobre a contração isométrica simultânea dos músculos TRA e músculos multífido. [Cara, este trabalho é lindo, vale a pena ler!]. Neste trabalho, os autores propõem que o mecanismo de alívio da dor, alcançado com esta abordagem, se deu através da melhoria da estabilidade dos segmentos vertebrais da coluna lombar. A beleza deste trabalho está justamente no fato que o programa de exercícios foi construído por dois fisioterapeutas extremamente talentosos, utilizando como base o conceito teórico descrito por Panjabi.
Esta abordagem se tornou a base para programas de estabilização lombar ou “core stabilization”, sendo este trabalho amplamente referenciado nas pesquisas seguintes que investigaram os exercícios de estabilização.
Basicamente os estabilizadores globais atuam sobre vários segmentos e transferem força entre a pelve e caixa torácica e incluem os eretores da coluna e o músculo reto abdominal. Já os estabilizadores locais, como os multífidus, possuem inserição nas vértebras lombares e tem a função de manter a estabilidade mecânica da coluna lombar.
Pouco após a publicação deste trabalho, Panjabi, um engenheiro biomédico,propôs um modelo conceitual para a compreensão da instabilidade da coluna vertebral (OBS: o modelo é dito conceitual, pois embora seja lógico e explique vários fenômenos relacionados a coluna, ainda não foi comprovado cientificamente) [Se quiser, pode baixar este trabalho clicando AQUI ]. Panjabi sugere que a estabilidade da coluna vertebral é dependente de 3 sub-sistemas:
#1- O sub-sistema passivo, o qual consiste nos elementos estruturais estáticos da coluna vertebral, tais como as vértebras e ligamentos.
#2- O sub-sistema ativo, formado pelos músculos e tendões que podem aplicar força à coluna vertebral, e
#3- O sub-sistema neural, constituído pelos elementos do sistema nervoso central e periférico, que monitoram a coluna vertebral.
O De acordo com este modelo, a instabilidade resultante da lesão de um componente do subsistema passivo (como uma lesão óssea ou ligamentar) poderia ser compensada, em parte, através da melhoria do desempenho dos sub-sistemas ativo e neural. (quem quise saber mais, eu já postei uma pequena resenha sobre este trabalho. Basta clicar AQUI)
Após o trabalho de Panjabi, um grande número de estudos que avaliaram a função da musculatura do tronco foram publicados. Cresswell e co-autores realizaram uma série de estudos sobre a função muscular do tronco e do controle da pressão intra-abdominal [clique AQUI e AQUI TAMBÉM para acesso aos abstracts]. Nestes trabalhos, os autores descobriram que a ativação do transverso abdominal (TRA) está correlacionada com a pressão intra-abdominal e que os músculos da parede abdominal se ativam antes do eretor espinhal quando o tronco recebe uma carga inesperada.
Hodges e Richardson [Abstracts AQUI, AQUI e AQUI TAMBÉM] identificaram evidências adicionais de “ativação preventiva do TRA e multífidus” com os movimentos dos membros. Aliás, estes trabalhos são interessantíssimos, pois demonstram por meio de eletromiografia que o TRA e multífidus se ativam milissegundos antes de movimentos voluntários do braço e membros inferiores, demosntrando claramente um mecanismo de antecipação (feedfoward) e que estes músculos desempenham um papel importante no fornecimento de estabilidade para a coluna lombar durante tarefas funcionais. Eles também descobriram que os padrões de ativação destes músculos foram diferentes em pacientes com lombalgia e em pacientes sem lombalgia, indicando um alvo potencial para intervenção terapêutica.
Muito dos trabalhos citados até aqui, serviram de base para uma publicação seminal por Richardson e Jull intitulado Pain Control, muscle control – What exercises would you Prescribe? que descreve um programa de treinamento específico para a musculatura do tronco com foco especial sobre a contração isométrica simultânea dos músculos TRA e músculos multífido. [Cara, este trabalho é lindo, vale a pena ler!]. Neste trabalho, os autores propõem que o mecanismo de alívio da dor, alcançado com esta abordagem, se deu através da melhoria da estabilidade dos segmentos vertebrais da coluna lombar. A beleza deste trabalho está justamente no fato que o programa de exercícios foi construído por dois fisioterapeutas extremamente talentosos, utilizando como base o conceito teórico descrito por Panjabi.
Esta abordagem se tornou a base para programas de estabilização lombar ou “core stabilization”, sendo este trabalho amplamente referenciado nas pesquisas seguintes que investigaram os exercícios de estabilização.
Andador de Bebês, além de atrasar o desenvolvimento motor podem ser um risco para crianças
Eu acho que todo mundo conhece, ou até mesmo usou um andador infantil quando era criança. Estes andadores são muito populares aqui no Brasil, sendo que muitos pais adquirem este equipamento acreditando que ele oferece segurança e ajuda a criança a andar mais rápido. . . . Pois é galera, este é um belo exemplo de como as aparências enganam . . .
Logo de cara preciso avisar que não sou vendedor de brinquedos infantis, não faço consultas e nem avalio atraso motor pela internet. Esta é uma postagem direcionada a estudantes de fisioterapia e profissionais da saúde.
Como andadores infantis podem ser perigosos?
Os andadores são projetados para oferecer mobilidade as crianças, e é justamente nesta mobilidade que mora o perigo. Um andador pode alcançar a velocidade de 1m/s (Lang-Runtz, 1983). dependendo da distância, esta velocidade é mais do que o suficiente para dificultar que um adulto a impeça de se aproximar demais de um degrau ou escada. Além disso, o fato dos andadores de bebê permitirem que as crianças fiquem “de pé”, aumenta o seu alcance o que lhes permite tocar objetos perigosos e puxar fios elétricos.
Os andadores são projetados para oferecer mobilidade as crianças, e é justamente nesta mobilidade que mora o perigo. Um andador pode alcançar a velocidade de 1m/s (Lang-Runtz, 1983). dependendo da distância, esta velocidade é mais do que o suficiente para dificultar que um adulto a impeça de se aproximar demais de um degrau ou escada. Além disso, o fato dos andadores de bebê permitirem que as crianças fiquem “de pé”, aumenta o seu alcance o que lhes permite tocar objetos perigosos e puxar fios elétricos.
As lesões que podem ocorrer a partir do uso de andadores incluem ferimentos na cabeça e trauma no abdome ou membros devido as quedas. Lesões por impacto resultantes de crianças que puxam sobre si mesmas objetos pesados tais como ferros de passar, aparelhos de DVD, televisores e outros itens domésticos. O alcance pode também gerar um maior risco de asfixia devido à ingestão de pequenos objetos deixados sobre mesas de centro e demais mobiliários baixos.
VOCÊ SABIA?
A queda de escada com andadores infantis costumava ser a principal causa de lesões graves na cabeça de crianças menores de 2 anos no Canadá. Isso até o governo canadense banir este produto do país. Isso mesmo! Desde abril de 2004 é proibido importar, anunciar e vender andadores infantis no país.
De que forma os andadores atrapalham o desenvolvimento motor?
Bebês são curiosos por natureza e esta curiosidade é o que os motiva a se movimentar e explorar o ambiente ao redor. Ao longo do primeiro ano de vida este espírito explorador estimula o bebê a alcançar alguns dos principais marcos do desenvolvimento motor normal como se arrastar, rolar, engatinhar e finalmente andar. Como citado em uma postagem anterior, estas aquisições não se resumem apenas a postura. Ao engatinhar a criança desenvolve força nos abdominais e aprende a coordenar e transferir o peso corporal entre os membros de modo a conseguir se locomover. Ao sentar sem apoio, manipulando um brinquedo, desenvolve o equilíbrio de tronco e aperfeiçoa a bimanualidade. Existem alguns estudos que comprovam que crianças que utilizam demais o andador podem apresentar atraso no desenvolvimento motor. Embora eu não tenha encontrado nenhum modelo que explique a razão do atraso, um pequeno exercício de observação do movimento no andador pode explicar a razão deste atraso.
Vamos começar de baixo pra cima: Caso a criança seja pequena para o tamanho do andador, ela inevitavelmente irá se locomover utilizando a ponta dos pés, empurrando o chão para trás sem descarregar o peso sobre os MMII e sem experimentar o padrão de contração muscular de movimentos coordenados de joelho, tornozelo e quadril. Mesmo se o tamanho da criança for adequado, ainda assim ela vai andar com os joelhos dobrados, mais uma vez sem experimentar o padrão esperado de marcha para a idade.
A cadeirinha na qual a criança fica sentada no andador oferece estabilidade demais. Assim a criança não precisa se incomodar em manter o equilíbrio ao manusear um objeto ou se deslocar com o andador. Além disso, enquanto ela está no andador, ela não está exercitando o rolar, o engatinhar e nem estará tentando dar os primeiros passos por conta própria.
A cadeirinha na qual a criança fica sentada no andador oferece estabilidade demais. Assim a criança não precisa se incomodar em manter o equilíbrio ao manusear um objeto ou se deslocar com o andador. Além disso, enquanto ela está no andador, ela não está exercitando o rolar, o engatinhar e nem estará tentando dar os primeiros passos por conta própria.
Felizmente este atraso motor não é preocupante. As crianças superam isso facilmente sem maiores problemas. Porém o grande problema é quando pais de crianças com disfunção neuromotora (mielomeningocele ou encefalopatia crônica, por exemplo) decidem usar o andador para “ajudar” com a fisioterapia de seus filhos e filhas. Neste caso teremos problemas de verdade, com a criança experimentando dois padrões de movimento completamente diferentes: De um lado o/a fisioterapeuta tentando ensinar um padrão funcional de marcha enquanto do outro lado o andador reforçando um padrão inadequado, sendo que a luta fica ainda mais injusta se contabilizarmos as horas em que a criança permanece em fisioterapia e as horas que ela passa com o andador em casa.
E agora, o que fazer?
Bem galera, como pai sei muito bem que às vezes é um saco ficar tomando conta de crianças pequenas (e maiores também), mas não tem jeito. Se você quer zelar pela segurança então o negócio é investir em medidas de segurança, como protetores de tomada, portões pequenos para impedir o acesso a cozinha e escada, além de ficar de olho nos pequeninos. Se você quer estimular o desenvolvimento motor, não precisa comprar brinquedos caríssimos, basta passar mais tempo brincando com a criança.
Valeu Galera
REFERÊNCIAS:
Sociedade Brasileira de Pediatria
Garrett M, McElroy AM, Staines A. Locomotormilestones and baby walkers: cross-sectional study. BMJ .2002;324:1494.
Crouchman M. The effects of baby walkers on earlylocomotor development. Dev Med Child Neurol .1986;28:757-61.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Como aliviar a coceira dentro do gesso
Ataques de coceira praticamente intoleráveis são muito comuns em pessoas usando gesso por conta de fratura em ossos, mas é preciso ter cuidado ao coçar a região incômoda, é o que diz um especialista no assunto.
"Nunca enfie algum objeto dentro do gesso para coçar a região que incomoda. Nunca mesmo. Já tive de remover gessos para retirar diferentes tipos de objetos – lápis, palitinhos chineses, garfos e até escovas", relata Paul Printz, cirurgião ortopédico do Gottlieb Memorial Hospital, de Illinois (EUA).
"Os ossos podem estar se recuperando com segurança, mas técnicas para aliviar coceiras podem causar infecções e problemas sanguíneos que requerem cuidados médicos adicionais", ele adverte.
O especialista explica que a pele protegida pelo gesso se torna muito delicada e sensível, podendo se ferir facilmente. Ele aconselha a não usar nada aquecido, pois isso pode gerar umidade através da condensação. Para combater a coceira no lado de dentro do gesso, Printz sugere:
- Dar tapas leves no gesso para criar uma vibração suave
- Massagear a área exposta ao redor do gesso
- Envolver a área externa do gesso com uma bolsa de gelo ou um saco com verduras congeladas para refrescar a área incômoda
- Consultar o médico sobre a possibilidade de tomar um anti-histamínico para ajudar a aliviar a coceira
"Nunca enfie algum objeto dentro do gesso para coçar a região que incomoda. Nunca mesmo. Já tive de remover gessos para retirar diferentes tipos de objetos – lápis, palitinhos chineses, garfos e até escovas", relata Paul Printz, cirurgião ortopédico do Gottlieb Memorial Hospital, de Illinois (EUA).
"Os ossos podem estar se recuperando com segurança, mas técnicas para aliviar coceiras podem causar infecções e problemas sanguíneos que requerem cuidados médicos adicionais", ele adverte.
O especialista explica que a pele protegida pelo gesso se torna muito delicada e sensível, podendo se ferir facilmente. Ele aconselha a não usar nada aquecido, pois isso pode gerar umidade através da condensação. Para combater a coceira no lado de dentro do gesso, Printz sugere:
- Dar tapas leves no gesso para criar uma vibração suave
- Massagear a área exposta ao redor do gesso
- Envolver a área externa do gesso com uma bolsa de gelo ou um saco com verduras congeladas para refrescar a área incômoda
- Consultar o médico sobre a possibilidade de tomar um anti-histamínico para ajudar a aliviar a coceira
Fisioterapia Oftalmológica ou Ortóptica??
Fisioterapia ou Ortóptica??
A Ortóptica é um ramo auxiliar da oftalmologia que trata de distúrbios e defeitos da visão sensorial e motora. O ortoptista é o profissional habilitado em Ortóptica, e procura corrigir as anomalias da visão sem recorrer à cirurgia, utilizando-se de métodos de fisioterapia ocular, de exercícios, de equipamentos e ferramentas de estimulação sensorial, como lentes prismáticas e filtros.Para ser um ortoptista é necessária graduação em curso de nível superior de Ortóptica. Algumas das matérias que fazem parte da grade curricular da maioria dos cursos são: anatomia; patologia geral; psicologia; bioquímica; biofísica; bioética; ortóptica; optometria; óptica fisiológica e psicofísica da visão, entre outros. Deve-se distinguir a ortóptica da oftalmologia, pois são dois campos distintos e ao mesmo tempo interligados, pois ambos buscam promover a saúde ocular, porém tratam de distúrbios diferentes. Esses profissionais podem, inclusive, trabalhar em conjunto em alguns casos.
A Ortóptica também é bastante confundida com a Fisioterapia Ocular, Fisioterapia Ortóptica, ou até chamada por alguns de Fisioterapia Oftalmológica, que é uma área da fisioterapia que trabalha a relação entre a visão e o equilíbrio postural. É uma área pouco difundida no meio terapêutico devido à complexidade dos exercícios oculares.
A metodologia da fisioterapia ocular esta baseada no equilíbrio da musculatura intrínseca do olho e toda sua relação com as cadeias musculares e tem como objetivos: Identificar as possíveis causas dos transtornos posturais através do desequilíbrio ocular, entender as relações entre os distúrbios visuais e os distúrbios cinéticos funcionais, assim como desenvolver habilidades no âmbito de prescrição de exercícios oculares para melhora do equilíbrio postural.
O Fisioterapeuta Ocular, é aquele que além de graduado em Fisioterapia, possui o curso de formação profissional em Fisioterapia Ocular, disponibilizados por alguns centros de formação em Fisioterapia. Esta área ainda não se tornou efetivamente uma especialização da Fisioterapia, pelo fato de não ter o reconhecimento legal.
O mercado de trabalho para a ortoptica é amplo, justamente pela falta de profissionais qualificados para atender a demanda. Muitas vezes o trabalho do ortoptista é realizado por um oftalmologista por falta de profissionais da área. Isso por que a profissão ainda não é muito difundida no Brasil e é facilmente confundida com a oftalmologia ou com a Fisioterapia.
A Ortóptica existe em diversos países do mundo, tais como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Japão, Argentina, Uruguai, França. No Brasil existe há 60 anos. Segundo o Conselho Brasileiro de Ortóptica, há cerca de 300 profissionais no país. Atualmente, existe apenas um curso superior que oferece a formação em ortoptista, na universidade do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação, no Rio de Janeiro, com duração de três anos.
Porém alguns Fisioterapeutas defendem que por se tratar de exercícios de cadeias musculares, utilizando recursos cinéticos funcionais e biomecânicos, também possam exercer diagnóstico, prevenção e tratamento nos musculos intrínsecos do olho. Mas o fato é que nem a Fisioterapia Ortóptica, nem a Ortóptica ainda foram reconhecidas como especialização e profissão respectivamente. Esta é uma realidade que ainda apresenta-se como uma luta do Conselho Brasileiro de Ortóptica.
Tratamento da Síndrome de Legg-Calvé-Perthes
A síndrome de Legg-Calvé-Perthes ou doença de Perthes é uma doença degenerativa da articulação da anca (quadril em português brasileiro) em que ocorre destruição da cabeça do fémur por falta de vascularização (necrose avascular).
É frequente em crianças dos 3 aos 12 anos, embora também tenha sido descrita em outras espécies, como em cães de pequeno porte. Em casos bastante raros pode também afectar adultos. Geralmente segue um processo com várias etapas que se resolve ao fim de cerca de um ano.
Para Weinstein e Buckwalter (2000) os objetivos principais no tratamento da Doença de Legg-Calvé-Perthes são impedir a deformidade, intervir no distúrbio de crescimento e impedir a ocorrência de artropatia degenerativa.
A Doença de Legg-Calvé-Perthes é autolimitada, ou seja, apresenta resolução espontânea com reossificação completa da epífise femoral no final do processo. De maneira geral, quanto mais esférica e congruente estiver a epífise femoral em relação ao acetábulo, melhor o resultado final. Nas fases de necrose avascular e fragmentação, a cabeça femoral está suscetível à defomidade sofrendo ação das forças musculares no quadril e também da carga através da marcha. A cabeça femoral tende a subluxar expondo-a, então, à pressão do vértice acetabular, levando ao achatamento do núcleo epifisiário podendo chegar até a formação de "quadril em dobradiça". O período em que a cabeça é plasticamente deformável são as fases de necrose e fragmentação, neste período preconiza-se o príncipio da contenção da epífise femoral no acetábulo e preservação da mobilidade articular, para que a epífise reossifique esfericamente, pois o acetábulo serve de modelo. Na maioria dos casos a marcha age desfavoravelmente e, portanto, deve ser proibida, pelo menos até a reossificação do pilar lateral.
O tratamento conservador é o método de escolha para a grande maioria dos casos de doença de Legg-Calvé-Perthes. Baseia-se no repouso no leito com tração cutânea para alívio da dor, redução da sinovite e ganho de abdução para melhor centralização do quadril.
Independentemente do método utilizado, conservador ou cirúrgico, os dois princípios fundamentais para o tratamento da doença são manter a epífise femoral centrada no acetábulo e preservar a mobilidade do quadril. (Soni, Valenza e Schelle, 2004).
Para Hebert (2004) na fase inicial, o tratamento consiste em repouso, diminuição da dor e aumento da mobilidade, evitando contraturas e limitação dos movimentos e mantendo a cabeça do fêmur bem centrada no acetábulo. Convém evitar o apio do membro afetado no solo e qualquer tipo de impacto, devendo-se, no entanto, manter a mobilidade com fisioterapia, hidroterapia ou natação. A cirurgia está indicada sempre que houver risco de uma incongruência articular no futuro e baseia-se na centralização da cabeça do fêmur no acetábulo por meio de osteotomia do fêmur.
A fisioterapia depois da intervenção cirúrgica concentra-se no treino da marcha e na restauração da amplitude de movimento (ADM) e força muscular do quadril.
Burns e MacDonald (1999) relata que as intervenções cirúrgicas podem provocar numerosos problemas osteomusculares, como fraqueza dos músculos abdutores do quadril e encurtamento do membro, resultando em claudicação.
Os movimentos ativos desempenham um papel fundamental na modelagem das articulações, sendo este o motivo pelo qual o fisioterapeuta deve visar os problemas osteomusculares que acompanham a Doença de Legg-Calvé-Perthes. Entre eles cita-se a rigidez do quadril e a fraqueza muscular de abdutores e extensores de quadril, prescrevendo movimentos ativos sem provocar dor (Burns e MacDonald,1999).
A hidroterapia é um método excelente para a criança que apresenta fraqueza e limitação da mobilidade do quadril. A flutuação na água morna favorece a mobilidade ativa do quadril, diminuindo a dor e espasmo muscular. O fortalecimento da musculatura e retreinamento da marcha costumam ser mais eficazes na piscina, em virtude da resitência dinâmica oferecida pela água. A hidroterapia também é altamente benéfica para o desenvolvimento psicosocial da criança com Doença de Legg-Calvé-Perthes grave, pois ela será capaz de executar atividades funcionais com mais liberdade e eficácia na piscina, de modo a readquirir a confiança em suas capacidades funcionais. (Burns e MacDonald,1999).
É aconselhável que se prescreva também um programa domiciliar diário, constituído de exercícios capazes de aumentar a força e controle sobre a musculatura do quadril. (Burns e MacDonald,1999).
Shephered (1995) refere que o tratamento durante a fase inicial consiste em repouso, às vezes com tração sobre a pele, seguido por deambulação com o aparelho ortopédico em abdução. O tratamento estará encerrado quando a radiografia demonstrar a revascularização da cabeça femoral. A fisioterapia consiste no tratamento da marcha, tanto com o aparelho ortopédico aplicado, como após a sua retirada.
SegundoTecklin (2002) um dispositivo ortótico poderá ser utilizado por um período prolongado, até um ou dois anos. Enquanto a criança está usando a órtese e depois da cicatrização da ferida, observa-se freqüentemente a presença de limitações de ADM e déficit de força. Depois da remoção do dispositivo ortótico, a criança pode continuar a andar com uma marcha do tipo Trendelenburg por causa da fraqueza dos extensores e dos abdutores do quadril.
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